sábado, 27 de agosto de 2016

II - SONETO DE MEDITAÇÃO

Uma mulher me ama. Se eu me fosse
Talvez ela sentisse o desalento
da árvore jovem que não ouve o vento
Inconstante e fiel, tardio e doce.

Na sua tarde em flor. Uma mulher
Me ama como a chama ama o silêncio
E o seu amor vitorioso vence
o desejo da morte que me quer.

Uma mulher me ama, Quando o escuro
Do crepúsculo mórbido e maduro
Me leva a face ao gênio dos espelhos

e eu, moço, busco em vão meus olhos velhos
Vindos de ver a morte em mim divina:
UMA MULHER ME AMA E ME ILUMINA.
OXFORD 1938 - Vinícius de Moraes

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