É como o espectro do meu sonho em mim
E sem destino, e louco, sou o mar
Patético, sonâmbulo e sem fim.
Desço na noite, envolto em sono; e os braços
Como imãs, atraio o firmamento
ENQUANTO OS BRUXOS, VELHOS E DEVASSOS
Assoviam de mim na voz do vento.
Sou o mar ! sou o mar ! meu corpo informe
Sem dimensão e sem razão me leva
Para o silêncio onde o Silêncio dorme
Enorme. E como o mar dentro da treva
Num constante arremesso largo e aflito
Eu me espedaço em vão contra o infinito.
OXFORD 1938 - Vinicius de Moraes

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